segunda-feira, 4 de maio de 2009

Azul da cor do mar

Faz tempo que eu queria colocar vídeos no blog, só que sou meio analfabeta nessas coisas. Agora que já sei como se faz (tão fácil!), vou inaugurar com chave de ouro: Taryn Szpilman cantando Azul da Cor do Mar, na homenagem a Tim Maia, do "Som Brasil".
Além dessa música, ela cantou também Cristina e These are the songs. Também no you tube.
Simplesmente maravilhosa essa artista. À altura do homenageado!



domingo, 15 de março de 2009

Pablo Neruda - Memorial de Isla Negra



AQUI ESTOU


Limpo é o dia lavado pela areia

branca, e gelada no mar roda a espuma,

e nesta desmedida solidão

sustenta-me a luz do meu livre-arbítrio.


Mas este mundo não é o que eu quero.




SOLILÓQUIO NAS ONDAS


Sim, mas aqui estou sozinho.

Levanta-se

uma onda

que disse o seu nome, não compreendo,

murmura, arrasta o peso

de espuma e movimento

e se retira. A quem

perguntarei o que me disse?

A quem entre as ondas

poderei nomear?

E espero.


Próxima, de novo, está a claridade,

levantou-se na espuma

o doce número

e não soube nomeá-lo.

Assim caiu o sussurro:

deslizou-se para a boca da areia:

o tempo que destruiu todos os lábios

com a paciência

da sombra e com

o beijo alaranjado

do verão.

Fiquei sozinho

sem poder acudir ao que este mundo,

sem dúvida, me oferecia,

ouvindo

como se debulhava esta riqueza,

as misteriosas uvas

de sal, e dum amor desconhecido

e ficava no dia degradado

só um rumor

cada vez mais distante

até que tudo o que eu poderia ser

converteu-se em silêncio.




ARTE MAGNÉTICA


De tanto amar e andar saem os meus livros,

e se eles não têm beijos ou regiões

e se não têm um homem de mãos plenas,

e se não têm mulher em cada gota,

fome, desejo, cólera, caminhos,

não servem para escudo nem pra sino:

estão sem olhos e não poderão abri-los,

terão a boca morta do preceito.


Amei as genitais enramadas e entre

o sangue e o amor escavei os meus versos,

em terra dura estabeleci a rosa

entre o fogo e o sereno disputada.


Por isso pude caminhar cantando.



Neruda, Pablo. Memorial de Isla Negra; tradução, notas e apresentação de José EduardoDegrazia. Porto Alegre: L&PM, 2007.



sábado, 14 de março de 2009

O GATO



Uma camuflagem quase perfeita: Pretinho tentando se esconder na grama preta.

Merece até poema do Quintana.


O GATO


O gato chega à porta do quarto onde escrevo.
Entrepara...hesita...avança...
Fita-me.
Fitamo-nos.
Olhos nos olhos...
Quase com terror!
Como duas criaturas incomunicáveis e solitárias
Que fossem feitas cada uma por um Deus diferente.

Mario Quintana



quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Que soninho!



Este é o Lourinho, num momento de extrema preguiça, parece até que está ensaiando para cantar ópera pelos telhados...

domingo, 18 de janeiro de 2009

Jovens, bonitos e talentosos




Madre é uma banda nova, com influências do Rock dos anos 60/70 e também de blues. Belas melodias e letras em português, bem originais. Estão no Myspace, vale a pena ouvir:

http://www.myspace.com/bandamadre

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Presente de Natal


O último livro do Saramago, isto é que é um presentão!

José Saramago é um dos meus autores favoritos.
Tudo começou há 20 anos, quando precisei ler "Memorial do Convento" para um trabalho na faculdade. Nas primeiras páginas estranhei o estilo dele, fui tropeçando, sendo levada pela obrigação. Mas aos poucos fui entrando no seu mundo. Sua prosa crítica, sarcástica e engenhosa é uma das melhores que existe na atualidade.
Um dos seus melhores livros é "Ensaio Sobre a Cegueira". Ainda não vi o filme do Fernando Meirelles, já li opiniões elogiosas e outras bem ruins. Preciso ver, embora ache muito difícil que o filme tenha conseguido traduzir toda a complexidade da obra, mas o José Saramago gostou, então deve ter qualidades.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

O amor é lindo!



Agora que eu ando tentando tirar fotos dos meus gatinhos e vi como é difícil (eles não param quietos), adorei ver as imagens deste site: http://www.warrenphotographic.co.uk/wphtm/cats_.htm

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

De música e poesia - Mario Quintana e Cecília Meireles





Eu ouço música

Mario Quintana


Eu ouço música como quem apanha chuva:
resignado
e triste
de saber que existe um mundo
do Outro Mundo...

Eu ouço música como quem está morto
e sente

um profundo desconforto
de me verem ainda neste mundo de cá...

Perdoai,
maestros,
meu estranho ar!

Eu ouço música como um anjo doente
que não pode voar.

(in Apontamentos de História Sobrenatural)




Surdina

Cecília Meireles


Quem toca piano sob a chuva,
na tarde turva e despovoada?
De que antiga, límpida música
recebo a lembrança apagada?

Minha vida, numa poltrona
jaz, diante da janela aberta.
Vejo árvores, nuvens, - e a longa
rota do tempo, descoberta.

Entre os meus olhos descansados
e os meus descansados ouvidos,
alguém colhe com dedos calmos
ramos de som, descoloridos.

A chuva interfere na música.
Tocam tão longe! O turvo dia
mistura piano, árvore, nuvens,
séculos de melancolia...

(In - Mar Absoluto/Retrato Natural)

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

E agora, Janis?








Quando encontrei a Janis na rua, ela era magrinha e feia, depois ficou fofa e dengosa.


Achei que era melhor deixar para esterelizá-la depois da primeira ninhada. Pensei que ela teria uns dois ou três filhotes, mas a danada parece que adivinhou que era a primeira e última vez. Então resolveu mostrar que não brinca em serviço. Teve SEIS filhotinhos. Seis coisinhas fofas, 3 pretinhos, 1 preto e branco e dois amarelos.
São lindos, mas agora eu preciso doar pelo menos quatro.
Por mais pena que dê, não tem jeito, seis é demais!

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

TARYN SZPILMAN canta como uma diva!



A primeira vez que a ouvi foi por acaso, num programa que não me recordo o nome, acho que no Canal Brasil. A voz, a interpretação e as músicas de alta qualidade me deixaram entusiasmada, fazia muito tempo que não ouvia uma cantora brasileira tão boa. Em maio, tive o privilégio de assistir um show dela, no Festival de Blues de Rio das Ostra (RJ). Tirei essa foto lá, ela estava no 7º mês de gravidez e mesmo assim dançava sem parar.

Ao vivo, além da belíssima voz e interpretação, Taryn dá um show de presença de palco. Apesar de muita gente que estava lá não a conhecer, foi uma das artistas que mais empolgaram o público e olha que estava bem cheio o lugar (coisa boa e de graça, quem não gosta?).

Para ouvir e se deliciar com as músicas dos CDs Bluezz e Taryn: http://www.taryn.com.br/